Uma âncora de pesquisas que a urna vai corrigindo, município a município.
Às 17h a previsão é a média das pesquisas. A cada lote que o TSE totaliza, o que foi apurado entra como fato e o que falta é estimado a partir do próprio município, até sobrar só o resultado. O painel publica a chance de cada um vencer; quem declara vencedor é o TSE.
Uma escala só
Tudo vive no mesmo número: a fatia de Lula nos votos válidos entre os dois, em logit.
Pesquisas trazem brancos, nulos e indecisos; a urna traz válidos. Para comparar, cada fonte é convertida para lula2p = Lula ÷ (Lula + Flávio). No 2º turno, votos válidos são exatamente isso, então o número do painel é o mesmo do TSE.
As contas são feitas em logit dessa fatia, porque incertezas somam melhor nessa escala e porque uma mudança de 1 ponto perto de 50 % vale o mesmo que perto de 30 %. O painel sempre mostra o valor de volta em porcentagem.
A âncora de pesquisas
Antes das urnas, a previsão é uma média ponderada de 59 pesquisas, corrigida pelo erro de cada instituto no 1º turno.
Peso. Cada rodada pesa pela recência, com meia-vida de 4 dias (a pesquisa de 10/10 vale um oitavo da de 24/10), e pela raiz da amostra, com teto em 2.500 entrevistas, para que uma única pesquisa gigante não domine.
Correção de casa. Todo instituto tem a última rodada de 1º turno dele e o resultado oficial de 04/10. O erro na margem Lula menos Flávio vira um ajuste da média do 2º turno, encolhido pela metade (não é o mesmo pleito), e um desconto de peso para quem errou muito.
Incerteza. Erro amostral típico, mais a dispersão entre institutos, mais o erro histórico da média de pesquisas em 2º turno presidencial no Brasil (2006 a 2022), que dá cerca de 1,8 ponto na véspera. Em 15 % dos sorteios a incerteza é alargada em 2,5 vezes, para a cauda não ser otimista.
Viés direcional. Em 2022 as pesquisas subestimaram a direita no 2º turno em cerca de 2 pontos. O painel publica, ao lado do central, o cenário com a âncora deslocada 2 pontos contra Lula. Ele não muda o número central; muda a honestidade do intervalo.
A apuração corrige a âncora
A partir das 17h, cada município é projetado em três camadas; a soma dos municípios é a projeção nacional.
O placar nacional cru engana porque quem apura cedo não vota como quem apura tarde: Nordeste e cidades pequenas chegam antes, capitais do Sul e do Sudeste depois. No 1º turno de Alagoas isso valeu 3 pontos dentro de uma só cidade. Por isso a projeção nunca parte do total nacional: parte de cada município, com o seu próprio "quanto falta".
O elo com a âncora. A regressão tem um intercepto nacional cuja expectativa inicial é o swing que as pesquisas implicam sobre o 1º turno. Com zero urnas, a projeção é a âncora. A cada retrato, os municípios apurados puxam esse intercepto para o que a urna diz, na proporção da precisão. Por volta de 20 a 30 % das urnas, a urna domina.
Monte Carlo. 6.000 sorteios por retrato, com choque comum nacional (cerca de 2,5 pontos: o viés de ordem que ninguém mede antes), choque por estado, ruído por seção que falta, viés de ordem por município e incerteza de comparecimento. A chance de Lula é a fração de sorteios em que ele passa de 50 % dos válidos.
Conta sem modelo. O painel também calcula o que daria se cada município terminasse como começou. A distância entre ela e a projeção é o quanto o modelo está corrigindo.
O que o painel mostra
Primeiro a chance, depois o placar. O placar parcial é o número que mais mente na primeira metade da noite.
Chance de vencer é a capa: a fração dos sorteios em que cada um termina à frente. Projeção final é a mediana dos sorteios, com a faixa p10 a p90 (80 % dos sorteios caem nela). Placar apurado é o que o TSE já totalizou. Lula precisa, no que falta é a fatia que fecharia 50 % dos válidos.
No mapa, a cor é a projeção final e a transparência é o quanto ainda falta apurar. Os 414 municípios acompanhados têm projeção própria; os demais herdam a projeção do resíduo do seu estado.
Quando o TSE marca o resultado como matematicamente definido, a probabilidade sai de cena e entra o resultado oficial com o selo do TSE. O modelo nunca declara vencedor.
Dados e fontes
Dado oficial manda. Toda soma é conferida contra o total do TSE.
Resultados: divulgação oficial do TSE, lida do mesmo CDN que alimenta o site de resultados, no grão de município, a cada 45 segundos. Cada arquivo é guardado carimbado, porque o CDN apaga o detalhe municipal depois da noite.
Pesquisas: os percentuais vêm das tabelas públicas da Wikipédia (en e pt), que citam o número de registro; cada rodada é cruzada com a ficha técnica oficial do TSE (instituto, campo, amostra, contratante). Só entra como registrada a rodada cujo número bate na ficha. Divergência de amostra ou de data vira alerta, não erro silencioso.
Eleições anteriores: 1º turno de 2026 e 2º turno de 2022 por município, dos dados abertos do TSE (votação por seção, agregada), conferidos contra os totais oficiais: 119.300.788 válidos no 1º turno de 2026.
Malhas: IBGE, API de malhas v4, simplificadas. Fotos: Palácio do Planalto (CC BY 2.0) e Agência Senado (atribuição), via Wikimedia Commons.
Honestidade e calibração
Uma probabilidade só vale se, ao longo do tempo, 80 % dos resultados caírem na faixa de 80 %.
Depois da noite, cada retrato salvo é comparado com o resultado final: quantas vezes o final caiu na faixa p10 a p90, hora a hora. Os parâmetros de viés de ordem de apuração vêm do 1º turno de Alagoas e serão recalibrados com os retratos desta noite.
Também se verifica se a correção de casa melhorou ou piorou a âncora contra a urna, e se a hipótese do viés direcional de 2022 se repetiu.