Como esta previsão é feita

Uma âncora de pesquisas que a urna vai corrigindo, município a município.

Às 17h a previsão é a média das pesquisas. A cada lote que o TSE totaliza, o que foi apurado entra como fato e o que falta é estimado a partir do próprio município, até sobrar só o resultado. O painel publica a chance de cada um vencer; quem declara vencedor é o TSE.

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Uma escala só

Tudo vive no mesmo número: a fatia de Lula nos votos válidos entre os dois, em logit.

Pesquisas trazem brancos, nulos e indecisos; a urna traz válidos. Para comparar, cada fonte é convertida para lula2p = Lula ÷ (Lula + Flávio). No 2º turno, votos válidos são exatamente isso, então o número do painel é o mesmo do TSE.

As contas são feitas em logit dessa fatia, porque incertezas somam melhor nessa escala e porque uma mudança de 1 ponto perto de 50 % vale o mesmo que perto de 30 %. O painel sempre mostra o valor de volta em porcentagem.

Lula no 1º turno, nessa escala
49,0%
Flávio 47,03 × Lula 45,16 nos válidos de 04/10
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A âncora de pesquisas

Antes das urnas, a previsão é uma média ponderada de 59 pesquisas, corrigida pelo erro de cada instituto no 1º turno.

Peso. Cada rodada pesa pela recência, com meia-vida de 4 dias (a pesquisa de 10/10 vale um oitavo da de 24/10), e pela raiz da amostra, com teto em 2.500 entrevistas, para que uma única pesquisa gigante não domine.

Correção de casa. Todo instituto tem a última rodada de 1º turno dele e o resultado oficial de 04/10. O erro na margem Lula menos Flávio vira um ajuste da média do 2º turno, encolhido pela metade (não é o mesmo pleito), e um desconto de peso para quem errou muito.

Incerteza. Erro amostral típico, mais a dispersão entre institutos, mais o erro histórico da média de pesquisas em 2º turno presidencial no Brasil (2006 a 2022), que dá cerca de 1,8 ponto na véspera. Em 15 % dos sorteios a incerteza é alargada em 2,5 vezes, para a cauda não ser otimista.

Viés direcional. Em 2022 as pesquisas subestimaram a direita no 2º turno em cerca de 2 pontos. O painel publica, ao lado do central, o cenário com a âncora deslocada 2 pontos contra Lula. Ele não muda o número central; muda a honestidade do intervalo.

Âncora em 25/10, Lula
48,7%
faixa 45,3% a 52,2% · chance 31%
Correção de casaerro no 1º turno, pp
Palver-1,2
Futura-0,2
Vox Brasil+0,5
PoderData+1,6
Ideia+1,7
Datafolha+2,2
Quaest+2,3
AtlasIntel+2,6
Positivo = superestimou Lula no 1º turno.
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A apuração corrige a âncora

A partir das 17h, cada município é projetado em três camadas; a soma dos municípios é a projeção nacional.

O placar nacional cru engana porque quem apura cedo não vota como quem apura tarde: Nordeste e cidades pequenas chegam antes, capitais do Sul e do Sudeste depois. No 1º turno de Alagoas isso valeu 3 pontos dentro de uma só cidade. Por isso a projeção nunca parte do total nacional: parte de cada município, com o seu próprio "quanto falta".

O elo com a âncora. A regressão tem um intercepto nacional cuja expectativa inicial é o swing que as pesquisas implicam sobre o 1º turno. Com zero urnas, a projeção é a âncora. A cada retrato, os municípios apurados puxam esse intercepto para o que a urna diz, na proporção da precisão. Por volta de 20 a 30 % das urnas, a urna domina.

Monte Carlo. 6.000 sorteios por retrato, com choque comum nacional (cerca de 2,5 pontos: o viés de ordem que ninguém mede antes), choque por estado, ruído por seção que falta, viés de ordem por município e incerteza de comparecimento. A chance de Lula é a fração de sorteios em que ele passa de 50 % dos válidos.

Conta sem modelo. O painel também calcula o que daria se cada município terminasse como começou. A distância entre ela e a projeção é o quanto o modelo está corrigindo.

1 · Apurado é fatoO que as seções totalizadas do município já disseram entra inteiro.
2 · Quanto falta(aptos − aptos totalizados) × comparecimento × válidos, com taxas do próprio município.
3 · A fatia de Lula no que faltaacumulado do município, tendência dos últimos lotes e regressão sobre o 1º turno de 2026 e o 2º turno de 2022 do mesmo lugar, combinados por precisão.
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O que o painel mostra

Primeiro a chance, depois o placar. O placar parcial é o número que mais mente na primeira metade da noite.

Chance de vencer é a capa: a fração dos sorteios em que cada um termina à frente. Projeção final é a mediana dos sorteios, com a faixa p10 a p90 (80 % dos sorteios caem nela). Placar apurado é o que o TSE já totalizou. Lula precisa, no que falta é a fatia que fecharia 50 % dos válidos.

No mapa, a cor é a projeção final e a transparência é o quanto ainda falta apurar. Os 414 municípios acompanhados têm projeção própria; os demais herdam a projeção do resíduo do seu estado.

Quando o TSE marca o resultado como matematicamente definido, a probabilidade sai de cena e entra o resultado oficial com o selo do TSE. O modelo nunca declara vencedor.

Municípios acompanhados
414
+ 27 resíduos por estado + exterior
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Dados e fontes

Dado oficial manda. Toda soma é conferida contra o total do TSE.

Resultados: divulgação oficial do TSE, lida do mesmo CDN que alimenta o site de resultados, no grão de município, a cada 45 segundos. Cada arquivo é guardado carimbado, porque o CDN apaga o detalhe municipal depois da noite.

Pesquisas: os percentuais vêm das tabelas públicas da Wikipédia (en e pt), que citam o número de registro; cada rodada é cruzada com a ficha técnica oficial do TSE (instituto, campo, amostra, contratante). Só entra como registrada a rodada cujo número bate na ficha. Divergência de amostra ou de data vira alerta, não erro silencioso.

Eleições anteriores: 1º turno de 2026 e 2º turno de 2022 por município, dos dados abertos do TSE (votação por seção, agregada), conferidos contra os totais oficiais: 119.300.788 válidos no 1º turno de 2026.

Malhas: IBGE, API de malhas v4, simplificadas. Fotos: Palácio do Planalto (CC BY 2.0) e Agência Senado (atribuição), via Wikimedia Commons.

Pesquisas no silver
59
53 com registro conferido na ficha do TSE
Institutos
20
cada um com a sua correção de casa
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Honestidade e calibração

Uma probabilidade só vale se, ao longo do tempo, 80 % dos resultados caírem na faixa de 80 %.

Depois da noite, cada retrato salvo é comparado com o resultado final: quantas vezes o final caiu na faixa p10 a p90, hora a hora. Os parâmetros de viés de ordem de apuração vêm do 1º turno de Alagoas e serão recalibrados com os retratos desta noite.

Também se verifica se a correção de casa melhorou ou piorou a âncora contra a urna, e se a hipótese do viés direcional de 2022 se repetiu.

Cobertura esperada da faixa
80%
p10 a p90 · medida retrato a retrato
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Glossário

two-party · fatia de Lula nos votos válidos entre Lula e Flávio
logit · escala em que as contas são feitas: log(p ÷ (1 − p))
âncora · a previsão antes das urnas: média ponderada e corrigida das pesquisas
retrato · um lote de totalização do TSE, lido a cada 45 segundos
p10 a p90 · faixa onde caem 80 % dos sorteios
viés de ordem · diferença entre quem apura cedo e quem apura tarde no mesmo lugar
município acompanhado · um dos 414 com projeção própria, baixada do TSE a cada ciclo
resíduo da UF · os demais municípios do estado, projetados em bloco
conta sem modelo · cada município termina como começou
matematicamente definido · marca do TSE: o segundo colocado não alcança mais o primeiro